Já tem algum tempo desde a minha putlima postagem...É que muitas coisas aconteceram, acabei deixando a minha vida mais atropelada do que de costume. Quem me dera que fossem só coisas boas...
Só pra começar, meu reveillon foi uma droga. Poucos dias antes da virada de ano fui assaltado.
Estava voltando do trabalho à pé, quando fui abordado por dois caras de bicicleta. Um deles, logo que desceu da magrela já deu voz de assalto e sacou algo das costas (o que ra mim parecia um pedaço de pau, ou coisa do tipo). Por cerca de 5 segundos fiquei paralisado sem saber o que fazer, eu já esava quase em casa e não estava acreditando que aquilo estava acontecendo justo ali naquele momeno.
Tentei correr, mas quando dei por mim o segundo já estava me cercando. Como não tenho o costume de carregar nada de valor comigo, tenho o hábito de andar só com minha CNH (pra identificação mesmo, porque eu sei a mão de obra que a gente tem que passar pra tirar todos os documentos de novo se perder...). Mas acho que isso não foi o suficiente, pra eles.
Eu estava vestido com uma camiseta cinza simples, uma calça jeans (bem surrada), um par de tênis surradaços (que joguei fora, depois de alguns dias) e uma bolsa jeans à tira-colo (daquelas que a gente leva ao lado do corpo). Dentro da bolsa não tinha nada de valor, tinah uma camiseta suada (que usei antes de ir pro trabalho), um desodorante, uma joelheira e a marmita onde levava minhas refeições.
Mas como eles não sabiam disso, acabaram achando que eu tinha algo de valor. Quando vi que já estava cercado tentei gritar por ajuda, mas como já passava das 00hrs a rua estava praticamente morta. Um deles logo passou a mão no meu óculos enquanto o outro tentava ver se eu tinha carteira ou qualquer coisa que ele pudesse pegar. Como não achou nada, o alvo foi a bolsa.
Eu bem que podia ter simplesmente deixado levarem tudo, mas por reflexo (e um pouco de estima pela bolsa, afinal foi um presente) acabei segurando-a pela alça enquanto o fdp* puxava pela outra ponta.
Como ele viu que eu não ia largar, começou a me chutar e gritar pra eu largar. Como isso não adiantava começou a me bater com o que eu achava que era um pedaço de pau. Não era.
Era um facão com aproximados 40cm, embainhado com uma capa de couro marrom bem velhinha. O primeiro golpe acertou no meu ombro esquerdo, golpe este que ainda estava com a capa. O segundo foi na minha mão esquerda (no punho, próximo ao indicador), mas a partir daí a bainha tinha voado longe...
Sei que só larguei a bolsa quando senti que minhas mãos estavam molhadas. Estranhei no início, pois sabia que não tinha nada líquido na bolsa e não tinha nenhum indício de líquidos por parte dos caras. Foi quando olhei para as minhas mãos...
Não sei ao certo quantos golpes o cara deu com o facão, mas quando vi meu sangue jorrando pra fora do meu corpo larguei autoamticamente a alça da bolsa (eu estava com um corte profundo no pulso esquerdo e outros cortes menores em ambas as mãos). Nem vi para que lado eles tinham ido. Nesse momento a minha única preocupação era conseguir ajuda e o mais importante, estancar o sangramento sem desmaiar.
Tive muito medo de morrer nessa hora. Mas consegui concentrar forças até que um dos vizinhos resolveu dar sinal de vida. Logo contei a ele o ocorrido e pedi pra chamar ajuda o mais depressa possível. Depois disso fui pra casa, pois sabia que a ambulância iria demorar e queria que alguém me levasse logo pro hospital antes que eu tivesse um "surto pós-traumático".
Só que, quando cheguei em casa, não podia usar a mão esquerda (porque estava sangrando muito) e nem a direita (que eu estava usando pra estancar o sangramento da outra).
Conclusão, tive que acordar o pessoal da casa onde eu morava pra vir abir o portão pra mim. Só que daí foi pior... acabaram me vendo naquela situação e não puderam me levar pro hospital, pois ficaram um pouco abaladas com a minha situção.
Depois de 30 MINUTOS chegou uma viatura da polícia militar e em seguida uma ambulância do SAMU. Os policiais, assim que me viram, quase desmaiaram. Já os enfermeiros... só faltaram me deixar como uma múmia de tanta atadura que me enrolaram.
Depois do atendimento fui até o hospital com eles na ambulância. Onde depois de quase 2h de espera numa sala com o braço esquerdo levantado acima da cabeça (ordens médicas pra ajudar a estancar o sangue), muita dor, somados ao medo do que aconteceu, mas a raiva que eu estava pelo descaso da polícia em ir atrás dos bandidos (até a bainha do facão eu peguei e entreguei aos poiciais, mas isso e nada era a mesma coisa pra eles)... Enfim eu estava puto da vida.
Depois de preencher a papelada de atendimento no hospital e da espera, finalmente fui atendido, costurado, anestesiado, etc... No total foram 17 pontos em 5 cortes profundos diferentes (o mais feio foi o do pulso esquerdo, levou 4 pontos) e um atestado de 7 dias.
Depois disso, fui pra casa de táxi (pra minha sorte eu tinha dinheiro guardado em casa). Até aí já eram 4h da madrugada passadas e quem disse que eu conseguia dormir?
No dia seguinte fui fazer o B.O. e depois o reconhecimento. Mas até agora a polícia daqui não parece muito interessada neste caso.
Jamais vou esquecer a data, Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010. Um dia, aliás uma noite em que eu, literalmente, vi a minha vida passando diante dos meus olhos.
Já fazem quase seis meses e nenhuma providência de justiça foi tomada. Como foi só um assalto, não estão nem aí... Mas e a gente que trabalha (quase desegunda a segunda) e tenta levar uma vida digna? Como podemos viver com condições destas???
:(
#vergonha_alheia






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