18 de jun. de 2011

O Por quê da ausência

Já tem algum tempo desde a minha putlima postagem...

É que muitas coisas aconteceram, acabei deixando a minha vida mais atropelada do que de costume. Quem me dera que fossem só coisas boas...



Só pra começar, meu reveillon foi uma droga. Poucos dias antes da virada de ano fui assaltado.


Estava voltando do trabalho à pé, quando fui abordado por dois caras de bicicleta. Um deles, logo que desceu da magrela já deu voz de assalto e sacou algo das costas (o que ra mim parecia um pedaço de pau, ou coisa do tipo). Por cerca de 5 segundos fiquei paralisado sem saber o que fazer, eu já esava quase em casa e não estava acreditando que aquilo estava acontecendo justo ali naquele momeno.


Tentei correr, mas quando dei por mim o segundo já estava me cercando. Como não tenho o costume de carregar nada de valor comigo, tenho o hábito de andar só com minha CNH (pra identificação mesmo, porque eu sei a mão de obra que a gente tem que passar pra tirar todos os documentos de novo se perder...). Mas acho que isso não foi o suficiente, pra eles.


Eu estava vestido com uma camiseta cinza simples, uma calça jeans (bem surrada), um par de tênis surradaços (que joguei fora, depois de alguns dias) e uma bolsa jeans à tira-colo (daquelas que a gente leva ao lado do corpo). Dentro da bolsa não tinha nada de valor, tinah uma camiseta suada (que usei antes de ir pro trabalho), um desodorante, uma joelheira e a marmita onde levava minhas refeições.


Mas como eles não sabiam disso, acabaram achando que eu tinha algo de valor. Quando vi que já estava cercado tentei gritar por ajuda, mas como já passava das 00hrs a rua estava praticamente morta. Um deles logo passou a mão no meu óculos enquanto o outro tentava ver se eu tinha carteira ou qualquer coisa que ele pudesse pegar. Como não achou nada, o alvo foi a bolsa.


Eu bem que podia ter simplesmente deixado levarem tudo, mas por reflexo (e um pouco de estima pela bolsa, afinal foi um presente) acabei segurando-a pela alça enquanto o fdp* puxava pela outra ponta.


Como ele viu que eu não ia largar, começou a me chutar e gritar pra eu largar. Como isso não adiantava começou a me bater com o que eu achava que era um pedaço de pau. Não era.


Era um facão com aproximados 40cm, embainhado com uma capa de couro marrom bem velhinha. O primeiro golpe acertou no meu ombro esquerdo, golpe este que ainda estava com a capa. O segundo foi na minha mão esquerda (no punho, próximo ao indicador), mas a partir daí a bainha tinha voado longe...


Sei que só larguei a bolsa quando senti que minhas mãos estavam molhadas. Estranhei no início, pois sabia que não tinha nada líquido na bolsa e não tinha nenhum indício de líquidos por parte dos caras. Foi quando olhei para as minhas mãos...


Não sei ao certo quantos golpes o cara deu com o facão, mas quando vi meu sangue jorrando pra fora do meu corpo larguei autoamticamente a alça da bolsa (eu estava com um corte profundo no pulso esquerdo e outros cortes menores em ambas as mãos). Nem vi para que lado eles tinham ido. Nesse momento a minha única preocupação era conseguir ajuda e o mais importante, estancar o sangramento sem desmaiar.



Tive muito medo de morrer nessa hora. Mas consegui concentrar forças até que um dos vizinhos resolveu dar sinal de vida. Logo contei a ele o ocorrido e pedi pra chamar ajuda o mais depressa possível. Depois disso fui pra casa, pois sabia que a ambulância iria demorar e queria que alguém me levasse logo pro hospital antes que eu tivesse um "surto pós-traumático".


Só que, quando cheguei em casa, não podia usar a mão esquerda (porque estava sangrando muito) e nem a direita (que eu estava usando pra estancar o sangramento da outra).


Conclusão, tive que acordar o pessoal da casa onde eu morava pra vir abir o portão pra mim. Só que daí foi pior... acabaram me vendo naquela situação e não puderam me levar pro hospital, pois ficaram um pouco abaladas com a minha situção.



Depois de 30 MINUTOS chegou uma viatura da polícia militar e em seguida uma ambulância do SAMU. Os policiais, assim que me viram, quase desmaiaram. Já os enfermeiros... só faltaram me deixar como uma múmia de tanta atadura que me enrolaram.



Depois do atendimento fui até o hospital com eles na ambulância. Onde depois de quase 2h de espera numa sala com o braço esquerdo levantado acima da cabeça (ordens médicas pra ajudar a estancar o sangue), muita dor, somados ao medo do que aconteceu, mas a raiva que eu estava pelo descaso da polícia em ir atrás dos bandidos (até a bainha do facão eu peguei e entreguei aos poiciais, mas isso e nada era a mesma coisa pra eles)... Enfim eu estava puto da vida.



Depois de preencher a papelada de atendimento no hospital e da espera, finalmente fui atendido, costurado, anestesiado, etc... No total foram 17 pontos em 5 cortes profundos diferentes (o mais feio foi o do pulso esquerdo, levou 4 pontos) e um atestado de 7 dias.



Depois disso, fui pra casa de táxi (pra minha sorte eu tinha dinheiro guardado em casa). Até aí já eram 4h da madrugada passadas e quem disse que eu conseguia dormir?


No dia seguinte fui fazer o B.O. e depois o reconhecimento. Mas até agora a polícia daqui não parece muito interessada neste caso.



Jamais vou esquecer a data, Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2010. Um dia, aliás uma noite em que eu, literalmente, vi a minha vida passando diante dos meus olhos.


Já fazem quase seis meses e nenhuma providência de justiça foi tomada. Como foi só um assalto, não estão nem aí... Mas e a gente que trabalha (quase desegunda a segunda) e tenta levar uma vida digna? Como podemos viver com condições destas???



:(

#vergonha_alheia

7 de nov. de 2010

Do Começo ao Fim












O que mais me machuca é não saber...

Não saber se senti um amor tão forte assim,
Não saber se já tive uma amor assim e não dei valor,
Não saber se terei, de novo, um amor assim.

Algumas coisas na vida são marcadas pela incerteza, outras marcadas pela perda, outras pelo arrependimento. Mas o que importa é que todas devem ser vividas. E com intensidade.

Do começo ao fim (e a minha história)


O filme foi lançado em 2009, mas eu só tive acesso há pouco tempo (graças a internet). O tema tratado, aliás os temas porque são 3 ao todo, relação homossexual, incesto e amor sincero e incondicional, são tabus que existem ainda hoje.

Não estou aqui pra levantar bandeira nenhuma, só quero expressar o que eu entendi e o que o filme me fez sentir (e ainda está fazendo!!!).

Assisti primeiramente pulando algumas partes, mas depois assisti inteiro. e neste momento estou assistindo de novo. o que mais me marcou não foi a parte do incesto ou a falta de coragem dos pais dos meninos em abordar o assunto com eles, mas sim a forma de carinho entre eles, a união, o apoio que um transmitia ao outro.

Confesso que estou com muita inveja, pois queria que minha família fosse unida assim. me assumi para mim mesmo e para algumas pessoas que convivem comigo. Mas ainda não tive a oportunidade de me expressar pra minha família. Gostaria de ter tido tempo de conversar a respeito com meu pai, infelizmente a morte foi mais rápida.

Voltando ao filme, a relação entre os irmãos, na minha opinião, é a de um amor fraternal que foi crescendo e ganhou proporções muito maiores permitindo que existisse uma relaçãohomoafetiva. indiferente ao fato de serem irmãos, os rapazes levam uma vida normal.

Pelo que mostrou no filme, é uma relação saudável, sem crises e sem neuras, a confiança é mútua, o sentimento é mútuo e, acima de tudo, é sincero.

Depois de assistir ao filme, fiquei um pouco frustrado. Não pelo filme, eu achei ele ótimo, mas por mim. por vezes conheci caras legais e tive a oportunidade de me relacionar um pouco com cada um. Mas de alguma forma eu sempre tive medo de me entregar, não sabia se podia confiar, tinha medo de me machucar.

Houve um cara que eu me apaixonei de verdade, mas não fui correspondido. Eu sabia que ele era gay, que estava solteiro, sabia que poderia ter chance, mas de alguma forma devo ter me iludido demais. Quando a realidade bateu, percebi que tinha criado uma ilusão tão forte que não suportei a rejeição.

Após esse episódio, decidi que não me entregaria tão fácil assim nunca mais. Por isso, não dei o devido valor aos relacionamentos que tive depois. Me arrependo sim. Perdi a chance de levar uma vida feliz ao lado de quem eu sabia que poderia me fazer feliz e que eu poderia fazer feliz também.

Por vezes eu me deixei levar por circunstâncias que na hora me pareciam corretas, mas percebi que foi por esse medo e não porque deveria fazer.

Não vou dizer que estou curado desse medo, não estou. Mas pelo menos estou disposto a tentar, e dessa vez não me apavorar como antes.
Sei que não vai ser fácil e sei que um amor como esse do filme é bem difícil de achar (do ponto de vista da dedicação, sinceridade e incondicionalidade).

Mas vou vivendo além das telas e vou ver no que vai dar.
Nesse meio tempo, recomendo que assistam o filme e, se forem como eu, chorarão rios de lágrimas nas cenas mais tocantes.

6 de nov. de 2010

Vida Cotidiana...

Tem momentos da vida em que ficamos nos perguntando se estamos no caminho certo. Se as escolhas que fizemos ao longo do caminho foram as certas. Se tivéssemos tomado outro rumo, talvez a situação estaria diferente.

São fases que temos que passar e questionamentos que temos a todo o momento. Isso é fato.

Pena que nem sempre temos, e na maioria das vezes NÃO temos, alguém com quem podemos dividir as experiências que passamos, alguém para tirar as dúvidas que surgem na nossa cabeça. Esse foi o meu caso.

Em toda minha vida eu não tive a figura paterna para tirar as minhas dúvidas, claro que as dúvidas só surgiram depois da puberdade. Infelizmente, no meu caso, tive que aprender tudo sozinho. Do meu jeito.

Me analisando, do início da puberdade pra cá, eu sempre fui mais do tipo de garoto estudioso, não me ligava muito no que se passava "fora do meu círculo". Não prestava muita atenção nas meninas. Apesar de sempre ser amigo de várias, nunca tive interesse sexual em nenhuma.

Sabia que era diferente, mas não sabia como nem por quê. De alguma forma eu sabia que mesmo que tentasse, não levaria um vida "normal" como os outros garotos. Foi difícil, sofri muito o que hoje chamam de bulling, fui discriminado, humilhado, e ridicularizado perante os outros garotos.
Nunca fui de brigar, mas me meti em algumas brigas na escola por conta da intolerância de alguns. Por sorte, ou destino, meus pais (minha mãe, na verdade) nuca ficaram sabendo o que se passava comigo.

Sei que demorou até que eu ganhasse consciência da minha diferença, mas isso fez a diferença. Foi graças a essa demora que soube pesar bem o que eu achava certo e decidir por isso. Sei que a vida que escolhi não é fácil, sem que temos muitas barreiras para vencer e sei que temos o direito de ser feliz, indiferente do caminho que tomemos.

O que antes eu olhava com medo, hoje tenho orgulho e prazer de admitir sem receio. Sou gay, gosto de homem, amo ser homem e não tenho problema nenhum com isso.
Sei que muitos homens héteros não aceitam essa diferença. sempre vem com o discursinho de que homem que é homem gosta de mulher. Uma banana pra eles! (adoro!!!!)

Por incrível que pareça (e para uma minoria que não aceita) são esses mesmos "meninos", que levantam essa bandeira, que não só pegam no "mastro" como gemem muito na hora do "pega-prá-capá".

Dizem que não gostam. Sei...
Mas quando experimentam...