7 de nov. de 2010

Do Começo ao Fim












O que mais me machuca é não saber...

Não saber se senti um amor tão forte assim,
Não saber se já tive uma amor assim e não dei valor,
Não saber se terei, de novo, um amor assim.

Algumas coisas na vida são marcadas pela incerteza, outras marcadas pela perda, outras pelo arrependimento. Mas o que importa é que todas devem ser vividas. E com intensidade.

Do começo ao fim (e a minha história)


O filme foi lançado em 2009, mas eu só tive acesso há pouco tempo (graças a internet). O tema tratado, aliás os temas porque são 3 ao todo, relação homossexual, incesto e amor sincero e incondicional, são tabus que existem ainda hoje.

Não estou aqui pra levantar bandeira nenhuma, só quero expressar o que eu entendi e o que o filme me fez sentir (e ainda está fazendo!!!).

Assisti primeiramente pulando algumas partes, mas depois assisti inteiro. e neste momento estou assistindo de novo. o que mais me marcou não foi a parte do incesto ou a falta de coragem dos pais dos meninos em abordar o assunto com eles, mas sim a forma de carinho entre eles, a união, o apoio que um transmitia ao outro.

Confesso que estou com muita inveja, pois queria que minha família fosse unida assim. me assumi para mim mesmo e para algumas pessoas que convivem comigo. Mas ainda não tive a oportunidade de me expressar pra minha família. Gostaria de ter tido tempo de conversar a respeito com meu pai, infelizmente a morte foi mais rápida.

Voltando ao filme, a relação entre os irmãos, na minha opinião, é a de um amor fraternal que foi crescendo e ganhou proporções muito maiores permitindo que existisse uma relaçãohomoafetiva. indiferente ao fato de serem irmãos, os rapazes levam uma vida normal.

Pelo que mostrou no filme, é uma relação saudável, sem crises e sem neuras, a confiança é mútua, o sentimento é mútuo e, acima de tudo, é sincero.

Depois de assistir ao filme, fiquei um pouco frustrado. Não pelo filme, eu achei ele ótimo, mas por mim. por vezes conheci caras legais e tive a oportunidade de me relacionar um pouco com cada um. Mas de alguma forma eu sempre tive medo de me entregar, não sabia se podia confiar, tinha medo de me machucar.

Houve um cara que eu me apaixonei de verdade, mas não fui correspondido. Eu sabia que ele era gay, que estava solteiro, sabia que poderia ter chance, mas de alguma forma devo ter me iludido demais. Quando a realidade bateu, percebi que tinha criado uma ilusão tão forte que não suportei a rejeição.

Após esse episódio, decidi que não me entregaria tão fácil assim nunca mais. Por isso, não dei o devido valor aos relacionamentos que tive depois. Me arrependo sim. Perdi a chance de levar uma vida feliz ao lado de quem eu sabia que poderia me fazer feliz e que eu poderia fazer feliz também.

Por vezes eu me deixei levar por circunstâncias que na hora me pareciam corretas, mas percebi que foi por esse medo e não porque deveria fazer.

Não vou dizer que estou curado desse medo, não estou. Mas pelo menos estou disposto a tentar, e dessa vez não me apavorar como antes.
Sei que não vai ser fácil e sei que um amor como esse do filme é bem difícil de achar (do ponto de vista da dedicação, sinceridade e incondicionalidade).

Mas vou vivendo além das telas e vou ver no que vai dar.
Nesse meio tempo, recomendo que assistam o filme e, se forem como eu, chorarão rios de lágrimas nas cenas mais tocantes.

6 de nov. de 2010

Vida Cotidiana...

Tem momentos da vida em que ficamos nos perguntando se estamos no caminho certo. Se as escolhas que fizemos ao longo do caminho foram as certas. Se tivéssemos tomado outro rumo, talvez a situação estaria diferente.

São fases que temos que passar e questionamentos que temos a todo o momento. Isso é fato.

Pena que nem sempre temos, e na maioria das vezes NÃO temos, alguém com quem podemos dividir as experiências que passamos, alguém para tirar as dúvidas que surgem na nossa cabeça. Esse foi o meu caso.

Em toda minha vida eu não tive a figura paterna para tirar as minhas dúvidas, claro que as dúvidas só surgiram depois da puberdade. Infelizmente, no meu caso, tive que aprender tudo sozinho. Do meu jeito.

Me analisando, do início da puberdade pra cá, eu sempre fui mais do tipo de garoto estudioso, não me ligava muito no que se passava "fora do meu círculo". Não prestava muita atenção nas meninas. Apesar de sempre ser amigo de várias, nunca tive interesse sexual em nenhuma.

Sabia que era diferente, mas não sabia como nem por quê. De alguma forma eu sabia que mesmo que tentasse, não levaria um vida "normal" como os outros garotos. Foi difícil, sofri muito o que hoje chamam de bulling, fui discriminado, humilhado, e ridicularizado perante os outros garotos.
Nunca fui de brigar, mas me meti em algumas brigas na escola por conta da intolerância de alguns. Por sorte, ou destino, meus pais (minha mãe, na verdade) nuca ficaram sabendo o que se passava comigo.

Sei que demorou até que eu ganhasse consciência da minha diferença, mas isso fez a diferença. Foi graças a essa demora que soube pesar bem o que eu achava certo e decidir por isso. Sei que a vida que escolhi não é fácil, sem que temos muitas barreiras para vencer e sei que temos o direito de ser feliz, indiferente do caminho que tomemos.

O que antes eu olhava com medo, hoje tenho orgulho e prazer de admitir sem receio. Sou gay, gosto de homem, amo ser homem e não tenho problema nenhum com isso.
Sei que muitos homens héteros não aceitam essa diferença. sempre vem com o discursinho de que homem que é homem gosta de mulher. Uma banana pra eles! (adoro!!!!)

Por incrível que pareça (e para uma minoria que não aceita) são esses mesmos "meninos", que levantam essa bandeira, que não só pegam no "mastro" como gemem muito na hora do "pega-prá-capá".

Dizem que não gostam. Sei...
Mas quando experimentam...